Páginas

Mostrando postagens com marcador John Zerzan. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador John Zerzan. Mostrar todas as postagens

Anarco-Primitivismo


Uma mudança é definitivamente essencial para o que a filosofia da anarquia significa. Em paises como Inglaterra, França e Turquia assim como nos Estados Unidos, existe um crescente interesse em o que é chamado anarco-primitivismo. Publicações americanas como por exemplo, AnarchyFifth State e Feral refletem esta mudança. Assim como Green Anarchist e Do or Die! na Inglaterra.

Aqui está um olhar, de uma perspectiva Americana, sobre o movimento.

1. Existe uma profunda crise em todos os níveis; individual, social, ambiental. O câncer do capitalismo tecnológico esta se expandindo com um impacto devastador.

2 . Liberalismo, esquerdismo, pacifismo são faces de uma falida pseudo-oposição a ordem dominante. A única oposição radical é a anarquia.

3. A anarquia é cada vez mais militante. Sabemos que aproximações por métodos manipuladores e submissão são falsos. Se nós e o planeta desejamos sobreviver e nos tornar livres, devemos quebrar as regras e revidar.

4. A anarquia é cada vez mais primitivista. Sabemos que a tecnologia não é "neutra", e incorpora o sistema sugador de vidas que esta nos cercando. Civilização, que é baseada na divisão de trabalho e domesticação, também deve ser abolida. Sua lógica desdobradora tem nos levado para a atual condição de vazio, destruição e patologia.

5. Nosso objetivo é uma comunidade não-hierárquica e face a face. Todo obstáculo para tal deve ser removido. Um grande desmantelamento é necessário para que a natureza e cada individuo seja honrado. A descentralização completa é o objetivo.

6. Tecnologia e capital a uma monocultura massificada que escraviza toda vida. Produção em massa, fabrica, especialização, pensamento separatista é parte do problema, e não da solução.

7. Livre associação, autonomia, transparência, espontaneidade, comunhão com a natureza, diversão, criatividade são requisitos para uma existência saudável e livre. Produtividade, hierarquia, coerção, trabalho, consciência de tempo não.

8. Se nossa missão e nossa visão parece loucura, quão mais louco é não fazer nada efetivo para impedir a marcha mortal da compra e venda global? No futuro uma criança pode perguntar: "Como você deixou tudo isso chegar a esse ponto? O que você fez para parar?"

9. Com a infelicidade difundida está exposto muito das mentiras e condicionamentos que defende este sistema de não futuro, vemos que um diálogo aberto entre todos é essencial.

10. Voto, programas de reciclagem, reformismo, e protestos não têm conseguido realmente nada. Tem que haver um rompimento qualitativo com a Mega-maquina.

De que lado você está?

John Zerzan - Anarchist Action Collective, PO Box 11703, Eugene, Oregon 97440, USA

O caminho adiante





Sem uma nova estrutura, ou uma visão diferente da dos fracassados e limitados esforços do passado, não haverá possibilidade de desafiar o todo-envolvente ecocídio, desumanização, e a destruição que são tão desenfreados atualmente. Todos sabem que a vela esta oscilando, que a crise generalizada continua a se espalhar e se aprofundar. Meus parentes conservadores sabem que tudo está desmoronando. Esta condição assustadora e sem precedentes deve ser desafiada em sua totalidade e em suas raízes. Existe cada vez menos interesse em abordagens parciais, e por uma boa razão: abordagens parciais apenas garantem que as coisas continuem cada vez pior.
 
Tem ocorrido para um número crescente de pessoas, em vários lugares, que olhar para uma saída necessariamente envolve atacar a exata natureza da sociedade. Não somente o capitalismo, mas a sociedade de massas e sua forma cada vez mais tecnificada, com suas raízes na civilização. Certamente algumas pessoas tem tomado agora uma retórica anti-civilização, ao mesmo tempo que evitam sua essência. Recentemente eu li em uma mensagem na internet que começava com "eu sou anti-civilização, mas ..." Este indivíduo listou coisas que ele/ela condenava, porém, nenhuma dessas coisas estavam definindo os aspectos da civilização (domesticação, cidades). Com este tipo de manobra o jargão muda, e nada mais. Por exemplo, alguém poderia continuar aceitando o marxismo , com todas as suas limitações, e ainda sim, por alguma razão, adotar o rótulo anti-civilização. Tal mal uso de termos é comum; por exemplo, Noam Chomsky - um mero progressista - é referido como um anarquista.

Obviamente é o marxismo, em geral, que é o continuo refúgio para aqueles que não podem encarar a realidade, e ainda alegam que se opõem radicalmente a essa realidade. O marxismo, que não tem sido uma visão inspiradora desde a I Guerra Mundial. O Marxismo, que proporciona um conforto caso a visão do mundo seja limitada - conforto se o Século XIX for o contexto (e mesmo assim, certamente inadequado).

Uma quantidade de potencial libertador seria incorporado no final da esquerda, isto é muito claro. Embora tão amplamente, senão universalmente desacreditada, a esquerda trabalha para manter um horizonte que é criticamente resumido. A visão da esquerda é limitada por um par de cegueiras: a recusa em questionar a produção em massa e a tecnofilia. Quando aqueles que se identificam como pós-esquerdistas provam isto tomando elementos cardinais como as "teses", o termo começará a ter substância.

Generalidades, como a retórica, servem principalmente para mascarar uma falha de conteúdo. Heidegger falou infinitamente da autenticidade e foi um nazista; Sartre focou na liberdade e foi um estalinista. Se a filosofia é a reflexão de um modo geral, a política comete o mesmo erro, e muitas vezes com os piores motivos. Só a especificação e o concreto transmitem um real significado, e jogam com as conseqüências das intenções e responsabilidades pessoais. Uma recusa em ser especifico pode ser tida como a marca do político. "Anticivilização" e/ou "Pós-esquerda" deve ser mais do que rótulos, jargões vazios.

Se uma tarefa prática é a rasura do que resta da esquerda, um igualmente passo é mais longe,  exploração e questionamento sem limites. Precisamos problematizar, não assumir ou tomar por certo, cada componente e instituição da marcha mortal da civilização.

Superar obstáculos deve ser acompanhado por um aprimoramento na busca de modos para evoluir. Isto é, as alternativas, os meios para deixar a embarcação decadente. O espectro de outras maneiras de viver deve ser absolutamente essencial, caso, se expressões como "autonomia" e "re-conexão com a Terra" sejam carregar a importância que irá brevemente ser colocada sobre nós. Habilidades que não assumem a continuação da decadente e infantilizadora modernidade, mas ao contrario, são habilidades necessárias para abandonar isto. Habilidades ligadas à terra, paisagens comestíveis, tantas maneiras de aprender e explorar. Habilidades que maximizam a plenitude e anti-mediação individual, e que são chaves para compartilhar a visão anticivilização. Um convite em termos reais, sem o qual apenas palavras acontecem. Mesmo se os passageiros percebem que o jato esta inclinando-se diretamente ao chão, eles ainda não estão certos de pular pela janela.

O reino do espiritual chama, porque assim deve ser - ou deveria ser - com elementos básicos. Nossa vida-mundo desincorporado tem perdido lugar na existência. Já não nos olhamos como parte da teia e dos ciclos da natureza.  A perda de uma relação direta com o mundo tem bloqueado um antigo entendimento universal de nossa singularidade com o mundo natural. Os princípios da ligação e da simplicidade são o coração do conhecimento indígena: intimidade tradicional com a terra como uma imanente base da espiritualidade. Este entendimento é uma essencial e insubstituível fundação da saúde e do significativo. Esta linha de vida é inestimável. Seu eco é ouvido em comentários de que a anarquia verde esta na base de um movimento espiritual, o qual deve colocar a mudança mundial em repercussão. Isto é algo muito atraente para eles - e misterioso para mim. Eu tenho que dizer que esta esfera é intrigante, e aberta para mim. Mas parece bom sentir que algo esta acontecendo e admitir isso.

Producionismo ou futuro primitivo, duas materialidades. Um provocado pela extinção do espírito, o outro por  abraçar o espírito e sua realidade baseada na Terra. O abandono voluntário do modo de vida industrial não é auto-renuncia, mas um retorno de cura.  Voltando deste presente estado e direção do mundo, vamos procurar por  inspiração daqueles que tem continuado a viver espiritualmente com a natureza. Seus exemplos mostram o que precisamos fazer do nosso modo para o que ainda nos espera, ao nosso redor.

Táticas podem ter muitas fontes úteis. Supremo é a recusa da total desordem colapsante e a resistência contra todos aqueles que trabalham para nos manter emaranhados nisto.

Há que acabar com tudo isto



A atual realidade está formada, como nunca esteve, de imensas penas e de cinismo: uma grande lágrima no coração da humanidade. O quotidiano vê aumentar a sua dose de horrores sem cessar acompanhada por um apocalipse rompante do meio ambiente. A alienação dos espíritos e os poluentes químicos disputam o predomínio na dialética da morte que rege a vida de uma sociedade dividida e gangrenada pela tecnologia. O cancro, desconhecido antes da civilização, transformou-se numa epidemia numa sociedade cada vez mais estéril e literalmente tumorosa.

Repentinamente, todos consumiremos drogas; sejam administradas sob regras ou vendidas sob contrabando, isto apenas é uma distinção formal. A terapia dos transtornos de cuidados oferece outro exemplo da tendência coercitiva da medicamentação da angústia e a agitação generalizada, que gera uma realidade cada vez mais frustrante. A ordem dominante fará, evidentemente, todo o possível por negar a realidade social. A sua tecnopsiquiatria considera o sofrimento humano como de natureza biológica e de origem genética.

Novas patologias, resistentes à medicina industrial estendem-se à escala planetária da mesma forma que o fundamentalismo religioso - sintoma de frustração e de profunda miséria psíquica. E à espiritualidade New Age (a filosofia para uso "dos caranguejos", segundo Adorno), assim como as inumeráveis terapias paralelas deleitam-se em vãs ilusões. Pretender que se pode estar íntegro, esclarecido e em paz no seio da loucura atual é, de fato, aceitar esta loucura.

O fosso entre ricos e pobres alarga-se, particularmente neste país onde os sem-teto e os presos contam-se por milhões. A cólera aumenta e as mentiras da propaganda que fundamentam a sua sobrevivência não encontram já a mesma credibilidade. Este mundo, onde reina a falsidade, encontra apenas a adesão que merece: a desconfiança em direção às instituições é quase absoluta. Mas a vida social parece congelada, e o sofrimento dos jovens é sem dúvida o mais profundo. A taxa de homicídios entre adolescentes de 15 a 19 anos duplicou entre 1985 e 1991. O suicídio transformou-se em reação de procura de cada vez mais adolescentes, que não encontram forças para alcançar a idade adulta num inferno como este.

A nossa época pós-moderna encontra a sua expressão essencial no consumo e na tecnologia, que dão aos mass media a sua força estupefaciente. Imagens e slogans impactantes e fáceis de digerir impedem de ver o espetáculo terrorífico da dominação que repousa essencialmente sobre a simplicidade das representações. Inclusive os enganos mais flagrantes da sociedade podem servir para esta empresa de hipnose coletiva, como é o caso da violência, fonte de infinitas diversões. Seduzem-nos as representações de comportamentos ameaçantes, pois o aborrecimento é uma tortura maior que o espanto. A natureza, ou o que resta dela, reprova-nos amarguradamente o modo em que a existência atual está pervertida, frígida e adulterada. A morte do mundo natural e a penetração da tecnologia em todas as esferas da vida desenvolve-se a um ritmo cada vez mais rápido. A multidão informaticamente enlaçada, os marginais tecnóides, os ciber-não-importa-quê, a realidade virtual, a inteligência artificial... Até chegar à vida artificial, última ciência pós-moderna. Entretanto, a nossa Era da Computação "pós-industrial", tem com principal conseqüência a nossa transformação acelerada num "apêndice da máquina", como se dizia no século XIX. As estatísticas da administração judicial indicam, todavia, que as empresas, cada vez mais informatizadas, são o teatro de cerca de um milhão de delitos violentos por ano, e que o número de patrões assassinados duplicou nos 10 últimos anos.

O sistema, na sua atroz arrogância, espera que as suas vítimas se conformem votando e reciclando os seus resíduos, fazendo-lhes crer que tudo irá muito bem. O espectador é somente suposto, não tem de saber nada e não merece nada.

A civilização, a tecnologia e as divisões que dilaceram a sociedade, são componentes de um todo indissolúvel. Uma carreira para a morte, fundamentalmente hostil às diferenças qualitativas. A nossa resposta terá de ser qualitativa, sem fazer caso dos eternos paliativos quantitativos que reforçam, de fato, aquilo que queremos abolir.

Comunidade




Co-mu-ni-da-de – s. 1. um corpo de pessoas com os mesmos interesses. 2. [Ecol.] um agregado de organismos com relações de mutualismo. 3. um conceito invocado para estabelecer solidariedade, geralmente quando a base para tal afiliação está ausente ou quando o conteúdo atual dessa afiliação contradiz o objetivo político da solidariedade. 

Comunidade, palavra que obviamente significa mais que, digamos, vizinhança, é um termo muito enganoso, mas um critério contínuo de valor radical. De fato, todos os tipos de pessoas recorrem a ele, de acampamentos pacifistas próximos de áreas de testes nucleares até esquerdistas do tipo “servir ao povo” com seu direcionamento de sacrifício-e-manipulação aos colonizadores africanos proto-fascistas. É invocado por uma variedade de propósitos e objetivos, mas como uma noção libertadora é uma ficção. Todos sentem a falta da comunidade, porque a irmandade humana deve lutar, até para remotamente existir, contra o que a “comunidade” é na realidade. A família nuclear, a religião, a nacionalidade, o trabalho, a escola, a propriedade, a especialidade de papéis – algumas combinações dessas coisas parecem comprometer toda comunidade sobrevivente desde a imposição da civilização. Então estamos lidando com uma ilusão, e argumentar que alguma forma qualitativamente superior de comunidade é permitida dentro da civilização é afirmar a civilização. A positividade promove a mentira de que o autenticamente social pode co-existir com a domesticação. A respeito disso, o que realmente acompanha a dominação, como comunidade, é no máximo o protesto de classe-média de “respeite o sistema”. 

Fifth Estate, por exemplo, recorta sua crítica (parcial) da civilização sustentando a comunidade e amarrando ela em cada uma de suas outras sentenças. Às vezes parece que um ocasional filme de Hollywood (e.g. Emerald forest, Dança com lobos) ultrapassa nossos jornais anti-autoritários mostrando que a solidariedade surge da não-civilização e seu combate com a “comunidade” da modernidade industrial. 

Jacques Camatte discutiu o movimento do capital de um estágio de dominação formal para um de dominação real. Mas parece haver terrenos significantes onde projetar a erosão contínua do apoio para a comunidade existente e o desejo genuíno de solidariedade e liberdade. Como Fredy Perlman colocou, próximo do fim do seu excepcional Against His-Story, Against Leviathan!: “O que se sabe é que o Leviatã, o grande artifício, simples e global pela primeira vez, na Sua-estória, está decompondo-se... É uma boa hora para as pessoas deixarem sua sanidade, suas máscaras e armaduras, e ficarem loucas, pois elas já estão sendo ejetadas de suas belas polis”. 

A recusa da comunidade pode ser considerada um isolamento auto-destrutivo, mas parece preferível, mais saudável, a declarar nossa submissão a fabrica diária de um crescente mundo auto-destrutivo. Alienação aumentada não é uma condição escolhida por aqueles que insistem no verdadeiramente social sobre o falsamente comunal. Está presente em qualquer caso, pelo conteúdo da comunidade. Oposição ao estranhamento da existência civilizada, pacificada, deve pelo menos chegar a nomear este estranhamento ao invés de celebrá-lo chamando-o de comunidade. 

A defesa da comunidade é um gesto conservador que se afasta da ruptura radical necessária. Por que defender aquilo para o qual somos reféns? Na verdade, não há comunidade. E só abandonando aquilo que é passado com este nome podemos nos mover para resgatar a visão da comunidade e a vibrante conectividade num mundo que não carrega nenhuma semelhança com este. Só uma “comunidade” negativa, baseada explicitamente no desprezo pelas categorias da comunidade existente, é legítima e apropriada para nossas intenções.